Em
meus dentes está o universo e todas as suas estrelas.
Em minha testa estão todas as praias e todos os seus grãos da
areia.
Em meus olhos estao as pessoas e todos os seus mistérios.
Hoje é dia de Ameaça Fantasma, no SBT. Domingo é a Parada do Orgulho Gay, em Copacabana. Segunda rola a estréia do Ataque dos Clones, em todos os cinemas...
Ministra de igreja da eucaristia durante dez anos, mamãe hoje é expectadora fiel da Rede Canção Nova. Comprou uma parabólica só para assistir ao catolicíssimo canal (que, por sinal, entra no Rio em sinal aberto nos próximos meses).
Quando contei-lhe "Toda a Verdade Sobre Adriano", foi um sofrimento. Eu poderia ter-lhe poupado, mas ela já ficara sem saber por tempo demasiado. E ela e eu concordamos até hoje que eu não errei em ter contado.
Mamãe passou pela Fase 1, a do choro alto e desesperado - Buáááááá!!!!!; pela Fase 2, a da culpa - Eu devia ter comprado Playboys pra você, não foi, meu filho?; pela Fase 3, a da negação - É apenas uma fase!; e, finalmente, pela Fase 4 - Você só precisa de ajuda.
A esses dias ela convidou-me para assistir a uma fita da Canção Nova. Tratava-se do testemunho de um ex-travesti, que declarava ter se salvado em Jesus. A exibição da fita terminou comigo disfarçadamente aborrecido e minha mãe falando que tinha fé em mim e em Deus de que eu iria mudar.
- Pô, mãe, será que a senhora não vai me respeitar do jeito que sou?
- E eu não respeito?
Aí eu tive de ficar quieto. E não é que ela respeita? Quase nunca toca no assunto, é verdade, mas nunca me forçou a nada e não deixou de me amar um grama a menos depois que ficou sabendo que eu era gay.
Por um instante, quase tive orgulho de mamãe. Orgulho de sua homofobia. Ela podia desejar que eu fosse diferente, mas me respeitava e até tinha fé - e confiança - em mim.
Ah, só o amor de mãe para me fazer enxergar a fina linha que serve de limite entre aceitação e respeito!...
Perguntou-me uma amiga de trabalho no outro dia: "Será que existem pessoas que ficam com preconceito contra as pessoas por elas serem homossexuais?"
Resposta: ô, se tem.
Volta e meia os noticiosos gls da internet, como o GLS Planet ou o MixBrasil passam adiante casos de agressões a homossexuais, que nunca param. E a maldita da agressão verbal, da agressão através da idéia de que homossexual é inferior continua por aí nas bocas que não pensam duas vezes. Já perdi a conta de quantas vezes meu professor de Direito foi menosprezado através do fato de ser homossexual.
(Ah, aquela bichinha!)
Por que um cara gostar de outro cara é pior que um cara gostar de uma mulher? Quem foi que disse que é pior? De onde saiu essa idéia?
O que as pessoas tem a ver com o que A ou B faz de sua vida particular? Serão fofoqueiros?
Por que não escolher a tolerância? Por que não optar pela paz? Será tão difícil assim deixar de tentar impôr o próprio ponto de vista aos outros?
Quando eu era pequeno, tinha impressão de que havia mais piadas no mundo. Será que isso se devia ao fato de eu conhecer menos piadas ou, de fato, existem menos piadas hoje?
Ele era homem. Se você souber o que era ser homem na roça, na tradição, na vida católica de Campos na década de 1940, então já deve saber exatamente como era meu avô. Durão dentro de casa, homem de poucas palavras e também de poucos carinhos. Quando fazia um carinho, esse era valorizadíssimo.
Minha avó, semi-analfabeta até o fim da vida, era religiosa, dona de casa, mãe de onze filhos, tendo perdido um deles logo cedo. Tinha de comandar a casa com mão de ferro; dava aos filhos responsabilidades, entre as quais se encontrava até a de cuidarem uns dos outros. Era quem castigava os filhos. Má? Todo castigo é duro.
Na velhice de ambos, as rugas chegaram e os dez filhos se espalharam pelo estado do Rio. Reuniam-se somente no Natal e Ano Novo, na casa dos meus avós. Depois da morte do meu avô, nem isso mais acontecia.
Minha avó, com mal de Parkinson, jazia numa casa sozinha. Hipocondríaca, chata, clamava por atenção. Visitas dos dez filhos? Há! Visita de alguns, sim. Ao coração de mãe, contudo, nunca bastou o 'alguns'.
No fim das contas, quem educou os filhos? Quem os fez crescer? Quem foi mãe acima de tudo e era ainda doce depois de decepções e acertos de toda uma vida? A visão da mãe durona, através de castigos, suplantou a candura que um coração quase sertanejo não soube exteriorizar.
Num hospital, visitada pelas filhas, dois anos atrás, numa madrugada de maio, ela morreu.
Esse último post me fez pensar que um blog não se distancia muito de um big brother da vida. O quão intriguenta se faz uma pessoa num blog? O quão sincera ela é - de verdade! - ?
E que dizer dos leitores de certos blogs? E quando tem briga através de posts? Não fica parecendo uma versão mais violenta de uma eliminação?
Quem sairá da casa?? O Dennis já botou "A Verdade" para fora da casa. O hoje extinto Rufferto (http://rufferto.blig.ig.com.br/inicial.html) INFELIZMENTE se deixou eliminar por um visitante, o Maquiavel.
Talvez seja isso que torne o blog algo tão único para tantas pessoas. Aqui eu me fragmento, aqui eu xingo, aqui eu replico e reconstruo. Não é por aqui que eu evoluo, mas é onde às vezes minha evolução quer refletir. E aqui também posso fazer amizades, conhecer pessoas interessantes, divulgar minhas idéias e, talvez acima de tudo, fazer-me show, tornar-me espetáculo. Ao invés de Casa dos Artistas, a Casa de Mim Mesmo.
Senhoras e Senhores, com vocês, ADRIANO RECONSTRUÍDO!!!
Minha mãe estava comentando o quanto minha tia fala palavrão. 9 em cada 10 porras de palavra que ela fala são essas merdas de palavrão. Mas que caralho! Por que seria um absurdo a fdp da minha tia ficar falando essas bucetas? Num fode! Esse negócio de reprimir é coisa de viado e piranha mal comidos! Pau no cu dos repressores!!!!
O padre tinha aqueles delírios. Ocasionalmente interpretava as coisas mais prosaicas como sinal da intervenção do Onipotente em sua particular e insignificante vida. Era o que se dava, ao conversar com a menina. Ela era loira, de olhos verdes e tinha sapiência demais para alguém com tão poucos anos. Seria um anjo a pô-lo a prova ou um demônio tentando-o?
- Não entendo ainda.
- O que você não entende, criança?
- Por que ser padre? O senhor não gosta de Deus?
- Eu O amo, minha menina. Gostaria de amá-Lo tanto quanto Ele me ama.
- Não deveria fazer como ele? Ele morre de amores por nós.
O padre encarou-a intrigado:
- Como assim?
- Uma mãe, quando recebe o recém nascido, domina-o. Para o bebê, a mãe é tudo. Imagine se alguém pudesse contar-lhe que ela poderia estar morta dentro de cinco segundos? Quanto desespero não se cria em cima da perda do amor verdadeiro? Se amas alguém verdadeiramente, lembra do sofrimento e afasta-te! A indiferença, sim, é o caminho do amor verdadeiro.
- Está acusando Deus de indiferença?
- Se não fosse indiferente, ele estaria aqui e ali e acolá, visível a todos, em todos os momentos. Ele daria pessoalmente e de forma compreensível a nós o Amor que se diz que ele nos dá. Contudo, como ele nos ama de uma forma perfeita, de uma forma divina, ele nos ama com a indiferença que protege. Só ama junto da pessoa quem se preocupa mais com a satisfação do amor próprio que com o sofrimento futuro do outro.
- Mas Deus demonstra seu amor por nós! Deu-nos a vida! Deu-nos esse mundo belo!
- Então... pode acreditar que ele não nos ama, padre?
O padre parecia furioso.
- Se não acredita nisso, então Deus não é perfeito. Então não é Deus. Se há Deus, não há amor demonstrado.
- Páre de falar tolices!
- Talvez Deus não exista.
A menininha fechou os olhos e inspirou profundamente. Sem querer, o padre sentiu uma paz invadí-lo.
Talvez fosse melhor sem Deus. Sentiu-se inundado por um amor divinamente infinito.
Luciana, uma grande amiga minha, desanimou-se com o mundo blogueiro. É blog chato demais, teria ela dito. É sempre gente falando as minúcias da própria vida, disse ela.
O quanto isso é verdade?
Lu, essa seleção é por ti!!!!
Piores Blogs e Abduzindo os outros Blogs - Tanto o ET quanto o Editor dão uma de Mion e vão selecionando blogs peculiares... Em verdade, até elogiam tanto quanto criticam... (E aparece cada peça na seleção deles!...)
Fale Com Deus - Viva Deus!! Deus é um cara muito legal, sacaneia todo mundo e tem um blog maneiríssimo... Tudo bem que o blog já teve sua fase negra de "Fale Com Bozo", hehehe...
Caderno Mágico do Dênis - Eu já declarei meu amor aos maravilhosos, inteligentes e geralmente líricos contos do caderninho?
Dênis, eu te amo!!!
(Não sei se ele escutou, mas...)
Escrevendo na Parede - Aqui você vai se chocar, vai rir e vai pensar. Política, religião e muito blá blá blá... (E haja revolta nessa vida, Nemo! Páre com isso, que Jesus te ama!!!!! :-P )
Essa história aconteceu com uma amiga de uma amiga minha... :-P A danada tinha de realizar um trabalho de entrevista para uma professora. A matéria era sobre um assunto cândido: o sexo. A missão? Deveria entrevistar, numa livraria, os clientes de sexologia e fazer-lhes três perguntas. O problema? A moça era a mais envergonhada do mundo. Cogitava levar o Ricardão (um brutamontes de muito músculo e pouco cérebro) como guarda-costas.
No dia D, ao tentar se aproximar do primeiro cliente, vê esse largar o livro e fingir nem ouvir-lhe o chamado. Só faltava sair correndo e gritando da livraria.
Do segundo cliente, meia hora depois, recebe uma cantada.
Com o terceiro cliente - em verdade, três mulheres - obtém conteúdo brilhante para uma matéria. O único inconveniente foi quando as três mulheres, todas por volta de seus sessenta anos, começaram a explicar certos detalhes sórdidos não tão necessários assim à matéria.
Conclusões: 1 - Jornalista precisa ter sangue-frio e cara-de-pau na prática da profissão.
2 - Sexo só não é bom quando na livraria dos outros.
"O conhecimento pode ser comunicado, mas a sabedoria, não."
"(...) em toda a verdade o oposto é igualmente verdade. Por exemplo, uma verdade só poder ser exprimida e envolta em palavras se for parcial, apenas metade da verdade; falta-lhe totalidade, integralidade, unidade. Quando o Sábio Buda ensinou acerca do mundo, teve de o dividir em Samsara e Nirvana, em ilusão e verdade, em sofrimento e salvação. Não se pode proceder de outra maneira, não há outro método para aqueles que ensinam. Mas o próprio mundo, que está em nós e à volta de nós, nunca é parcial. Um homem ou uma ação jamais são inteiramente Samsara ou inteiramente Nirvana; um homem jamais é inteiramente santo ou inteiramente pecador. Parece apenas que assim sucede porque temos a ilusão de que o tempo é algo real. O tempo não é real, Govinda, compreendi-o repetidas vezes. E se o tempo não é real, então a linha divisória que parece existir entre este mundo e a eternidade, entre o sofrimento e a beatitude, entre o bom e o mau, então essa linha é, também, uma ilusão."
- pg 148 e 149 de Siddhartha, de Herman Hesse, Editorial Minerva, 1º edição, 1974
Ontem, um cara viu-me a ler Contato. Perguntou-me o porque da leitura e, quando expliquei que o livro ajudava-me a organizar meus pensamentos religiosos, se espantou. Esclareci que eu não era adepto de nenhuma religião definida, mas que eu tinha impressões próprias acerca do Numinoso.
Tive a ligeira impressão de que ele, adepto de uma religião conhecida olhou-me como se eu fosse um bárbaro com crenças infantis...
"O que estou dizendo é que , se Deus desejasse enviar-nos uma mensagem, e se os textos antigos fossem a única maneira que ele imaginasse para fazer isso, poderia ter realizado um trabaho mais bem-feito. E de maneira alguma ele teria de se limitar aos textos escritos. Por que não existe um imenso crucifixo em órbita ao redor da Terra? Por que na superfície da Lua não estão gravados os Dez Mandamentos? Por que Deus haveria de ser tão claro na Bíblia e tão obscuro no mundo?" - pg. 163 de "Contato", do maravilhoso Carl Sagan
Quando eu era criança, havia milhares na minha casa. Escondiam-se no oco dos tijolos, acessados através de buraquinhos, de pequenas falhas na cal que fica entre os azulejos do banheiro ou da cozinha.
Invadiam a pia do meu banheiro.
Era nessas ocasiões que eu praticava a herética brincadeira de Deus. Eu era o Todo Poderoso e elas eram as débeis criaturinhas. Com a mão poderosa, abria a Torneira Divina e fazia jorrar o dilúvio sobre a pia. Eu desviava a água e atirava-a em cima das formigas. Várias morriam. Outras eu deixava viver, geralmente assistindo à sua fuga nervosa. Em alguns minutos, a maioria desaparecia. Ficavam algumas, às vezes tentando chegar-se rumo às que morreram.
Era assim, de modo vergonhoso - com formigas, mas vergonhoso - que eu brincava de Deus.
Foi uma senhora quem me contou a esses dias. Há vandalismo até entre as formigas. Pelo que parece, já foram estudados casos em que formigas de um formigueiro atacavam outras para roubarem-lhe a comida. Guerra. Pilhagem. Até onde ela sabe, não há esse tipo de comportamento entre formigas de um mesmo formigueiro.
"BRANCA: Quando eu era menina, conhecia todos os formigueiros do engenho. O capataz botava veneno na boca dos buracos e eu saía de noite, de panela em panela, limpando tudo. Depois ia dormir, satisfeita por ter salvo milhares de vidas." - tirado da peça: "O Santo Inquérito", de Dias Gomes
"No momento em que Gepeto está dando os toques finais em Pinóquio, ele vira as costas ao boneco e é imediatamente atirado ao chão por um chute bem colocado. Naquele instante chega o amigo do carpinteiro e lhe pergunta o que está fazendo prostrado no chão. Gepeto responde, com dignidade:'Estou ensinando o alfabeto às formigas'.
Ellie achava isso extremamente gozado, e tinha enorme prazer em contar o episódio aos amigos. No entanto, a cada vez que narrava o caso, pairava uma pergunta não formulada na fímbria de sua consciência: seria possível ensinar o alfabeto às formigas? E alguém desejaria fazer isso? Deitar-se junto a centenas de insetos capazes de rastejar por toda a pele da pessoa, e até mesmo picá-la? De qualquer maneira, o que as formigas poderiam saber?" - pg 16-17, de Contato, livro de Carl Sagan de 1997, editado pela Companhia das Letras, em sua 5ª edição.
Foi antes da maçã. Foi antes de Eva. Foi mesmo antes de Adão ser homem.
Adão foi criado à imagem e semelhança de Deus. Nasceu, portanto, uma criança, a potência de ser tudo, um poço de esperança, um ser que bate e que afaga. E, acima de tudo, um ser curioso. Afinal, por que outro motivo Deus criaria o mundo senão pela curiosidade?
Crescia Adão no jardim. Eram anos tentando entender o mundo. Eram anos tentando entender Deus. Eram anos tentando entender a si mesmo. (Seriam coisas diferentes?)
Tentando.
Na busca da compreensão, o pequeno Adão saiu a explorar todo o Jardim do Éden. Embrenhando-se em meio a árvores, rios, conhecendo criaturas exóticas, aspirando o perfume de flores nunca antes vistas, ele caminhou do centro do Jardim do Éden para sempre e além. Demorou muito para cogitar que talvez nunca chegasse ao fim. Seria o Jardim do Éden infinito?
Toda clareira lhe parecia o centro, de onde partia. Andava em círculos?
No ápice de seu desespero, clamou a Deus que lhe desse opções. Clamou a Deus que lhe oferecesse um caminho.
Deus mostrou-lhe, numa clareira, três coisas. A primeira era um fruto da árvore da Vida. O segundo, o fruto da árvore do Conhecimento. O terceiro, uma caixa fechada, uma surpresa.
- Adão, são três os caminhos. Você tem à disposição o conhecimento infinito, a vida infinita e a dúvida infinita. O que você escolhe?
Num jardim de infinitos, Adão olhou para as coisas que conhecia e contemplou um infinito de repetições advindas dessas coisas. Ao final, fez a escolha mais sensata.
- A Caixa.
Criado à imagem e semelhança. Acima de tudo, um curioso...
Quando é lindo de matar, eu só quero admirar. Quando transmite aquela simpatia encantadora, não sei como chegar junto. Quando dá em cima de mim inacreditavelmente, tem alguma falha no esquema ainda não vista. Quando eu não estou a fim, me enchem o saco. Quando eu estou a fim, a pessoa saca tudo, menos que eu estou a fim dela.
O presente é um produto do ontem. O quão verdade é isso?
Sinto-me às vezes uma pessoa imensamente diferente daquela que fui em minha infância.
No jardim de infância, fiz o meu primeiro "melhor amigo", que nem sei por onde anda nesse mundo grande de hoje. Era o Antônio. Moreno como eu, mas um pouco mais gordo. Não era tão inteligente como eu, mas era um cara legal. A gente sempre merendava junto. Às vezes a gente comia com o Renato, um branco de óculos fundo de garrafa que já parecia um nerd. Tá, deu pra sentir que eu não gostava dele. Morria de ciúme do "meu melhor amigo"...
Está aí uma coisa que faço até hoje. Periodicamente, morro de ciúmes dos meus amigos quando eles estão com outros amigos deles. Passa. É mau por um lado, mas é interessante por outro. De uma forma ou de outra, o ciúme mostra que nos importamos e que as coisas e pessoas nos importam, não?
Também tive o meu primeiro amor de criança. Amor de criança, bem entendido. Tratava-se de fascinação, talvez de uma vontade de ser amigo maior que o comum. Foi pela Juliana. Putz, a mãe dela não ia com a minha cara e a própria Juliana se fazia de difícil na maior parte do tempo. Entretanto, ela também era uma garota legal. Apenas me apresentou ao mistério que são as mulheres. Eu nunca entendia quando ela mudava de idéia, quando parecia que ia dizer uma coisa e dizia outra, essas coisas...
Está aí outra coisa que ficou. Até hoje não entendo as mulheres. Sensíveis demais durante a TPM, capazes de gerar novos seres, vivendo sem ter (ou deixar de ter) ereções, com pedaços de carne às vezes enorme na frente do peito. Putz, é quase uma outra realidade... De fato, elas são de Vênus!
Desde criança eu inventava, imaginava, criava. Tornei-me o "engenheiro oficial de brincadeiras" da minha rua, fazendo-me criador de maravilhas como o "pique-adedonha" e o "Game Real", uma mistura de amarelinha e queimado com um "pegador" e muita animação. A herança que me fica disso hoje, além desse blog, provavelmente surgirão no meu meio mais profissional, o jornalismo.
O sonho de ser pianista, proclamado aos sete anos, cresceu, numa saga que me levou a estudar erradamente durante três anos, passar um quarto corrigindo vícios adquiridos e os outros cinco acabando de prosseguir num desenvolvimento que parou quando, na Escola de Música da UFRJ, descobri que eu amava a Música, mas o Piano exigia mais de mim do que eu estava disposto a dar.
E a criança que havia em mim? Tinha um monte de defeitos. O maior deles talvez fosse a insegurança, que vejo-me, enfim, com sinais de diminuição progressiva. Talvez, no fundo, eu não tenha deixado de ser criança.
Apenas estou me tornando uma criança melhor do que a que fui.
Já que o papo é ficção-científica, eu sinto a obrigação de fazer uma declaração de amor à Babylon 5. Para todos aqueles que não tinham acesso ao Warner Channel há dois anos, fica o aviso de que perderam a oportunidade de uma vida.
O seriado, criado por Straczinsky, um ex-roteirista de desenhos, foi comparado à Star Trek por falar de uma estação espacial onde seu capitão vivia no meio de intrigas e aventuras com uma série de raças alienígenas. Só que as diferenças eram bem mais evidentes que as semelhanças.
Babylon 5 foi um seriado em forma de saga, feito desde a concepção com início, meio e fim, previsto para durar 5 anos. Durante esses 5 anos, a estação muda de capitão, As Trevas, uma raça antiga, caótica e super-avançada tecnologicamente ressurge das cinzas para reativar sua rivalidade com os racionais e enigmáticos Vorlons, levando a uma guerra que envolve a todas as outras raças.
Além disso, o tom de religiosidade e de preocupação com o divino, com o efêmero, com o infinito eram marcantes. Cada episódio trazia pérolas filosóficas.
É uma pena que ele tenha tido baixa audiência, algo não tão incomum para seriados de FC... Se alguém tiver os episódios do primeiro ano gravados, passe-me, pois não os vi até hoje!...
Os Embaixadores de B5
Os dois capitães de Babylon 5 e Delenn
A armadura do nunca realmente visto embaixador Vorlon
Falando em ficção-científica, parece que está saindo aqui nno Brasil a tradução de "It's been a good lige", autobiografia do Bom Doutor, que deixou coisas notáveis para a Humanidade, como as noções de psico-história, as Leis da Robótica e Hari Seldon.
Eu jurava que ele tinha morrido de parada respiratória, mas a nova biografia jura que foi AIDS. E pelo visto, a esposa dele (viva Janet Asimov!) confirmou a notícia.
Que importa? A vida dele ainda supera - e muito! - em fascinação qualquer versão da morte dele que possa haver...
Não, não façam como o meu irmão, que me desilude falando que os garotos de 12 anos de hoje nem fazem idéia do que seja Guerra Nas Estrelas. Ao invés disso, digam-me que são ótimos filmes este e suas duas continuações.
Agora que o SBT nos presenteia com um filme da cinessérie por sábado, começo a analisar. O quanto os fãs e o dinheiro danificaram o próprio filme? Será que, se não tivesse de atender às expectativas de fãs sedentos, George Lucas teria filmado "A Ameaça Fantasma" tal como o fez, com tantas tramas, interessantes apenas pelo seu futuro, e menos situações humanas e disparatadas como uma princesa reclamona discutindo com um Han Solo brigão ou um C3PO falando que a rendição ao Império é uma alternativa aceitável?
Não tenho muitas esperanças ou expectativas para com "O Ataque dos Clones". As poucas que restaram foram destruídas quando, passando por Botafogo e pela Linha Vermelha, deparei-me com dois out-door's que traziam propagandas das mais podres a respeito do filme...
Uma, com a foto do Yoda e, ao fundo, uma multidão de jedis - que parece ser o trunfo do filme - dizia o seguinte: "Esse baixinho tem mais garra que a seleção" ou coisa parecida...
Outra, com o vulto de inúmeros jedis no fundo e com o Anakin e seu mestre na frente, referia-se aos dois como uma dupla da pesada.
PQP!!!! Eles tão falando mesmo do Guerra nas Estrelas que eu conheço ou de algum filme de ação idiota e repetido?
Para a agência que fez essas propagandas, para o cliente que aprovou-os e para o publicitário que aprovou tudo, dizendo que eram ótimas propagandas só posso dizer singelas palavras:
VAI SE FODER! VAI SE FODER! VAI SE FODER! VAI SE FODER! VAI SE FODER! VAI SE FODER! VAI SE FODER! VAI SE FODER! VAI SE FODER! VAI SE FODER! VAI SE FODER! VAI SE FODER! VAI SE FODER! VAI SE FODER!
Ela idolatrava o avô desde o primeiro beijo que ganhara dele. Adorou a idéia de viajarem para a fazenda em Minas.
Lá ela amou verdadeiramente pela primeira vez. (Alguém ama verdadeiramente mais que uma vez? Não amamos tudo sempre verdadeiramente?)
Foi um rio. Grande, de correnteza forte, imperioso, com a água brilhando sob o sol. Ela quis guardá-lo para si, mas como se guarda um rio? Ele era livre, corria para longe. E, no entanto, sempre estava ali.
Todas as manhãs, ela tomava o café com leite apressada, com ansiedade de chegar ao rio. No rio, ela experimentava uma serenidade extrema. O tempo parava de fluir e ela sentia-se capaz, subitamente, de vencer a morte, de deixar o tempo escoar por si, como a água escoava no rio, ficando ali, ainda assim.
Quando as férias acabaram, ela chorou. Não se banharia mais ali. O avô fingia não compreender. Dizia que ela era tola a fim de não invejar um rio.
Com o coração em frangalhos, ela pressentiu que jamais voltaria a estar de volta àquela fazenda. Estava certa. Sentindo um gosto amargo na boca, pensou em nunca mais amar na vida.
Em casa, lembrou-se. Se o rio podia ficar quando se ia, por que não podia ir quando ficava? Guardando o passado no fundo d'alma, ela correu ao banho e sentiu o rio de antes dentro de si.
Metade desse conto foi porque ontem lembrei-me bastante do meu ex nº4. O fato de hoje ser dia dos namorados também ajuda. A outra metade é pela minha leitura de Siddhartha, do genial Hermann Hesse. O livro fala da busca humana e pessoal de um objetivo, do grande objetivo da vida. O que é encarar a Vida e perceber que a Vida passa e que podemos agir nEla e com Ela através de escolhas boas e más?
Ela queria dar um presente para o namorado. Ela teve uma idéia. Ela era extremamente envergonhada e tímida. Ela queria lhe dar uma caixa de bombons e camisinhas de presente.
Eis que, no meu trabalho, aproxima-se ela com um sorriso nervoso e segreda-me:
- Olha, eu preciso de um favor seu, Adriano.
- Hum. Claro, fia, o que é?
Passaram-se 40 minutos até eu conseguir entender que ela queria que eu fosse na farmácia comprar as camisinnhas, pq ela não se sentia bem a vontade o suficiente para ir ela mesma comprar.
Vou eu, compro as ditas cujas e retorno à loja para lhe entregar "o pacote". Ela está no vestiário. É a sala do lado da gerência. E se o gerente me vê fora do meu trabalho com camisinhas na mão? Ele não ia gostar e a minha amiga ia morrer de vergonha, tadinha...
Aproximei-me, pé ante pé. Olhei a sala da gerência. Porta fechada. Bato na porta do vestiário feminino.
- Quem é? - é a voz dela.
- É a vovozinnha!... Pô, abre aqui... Sou eu. Estou com "o pacote"...
Abre-se a porta. Como uma foragida, a cabeça dela surge pela fresta, olhando para os lados. Acaba de abrir a porta toda e olha o saquinho plástico da farmácia na minha mão e observa o conteúdo.
- Ué, que marca é essa?
- Ai... desculpa; eu trouxe essa porque não tinha Jontex lá.
Rosto vermelho. Corpo encolhido.
- Shhhh!!! - Ela olha para os lados. Será que alguém ouviu?
E nisso, eis que a porta da gerência se abre e de lá sai o gerente. Com um sorriso discreto no rosto, olha o saco da farmácia nas mãos dela e apenas diz", voltado para mim:
- Foi engraçada aquela de você ser a vovozinha! Vocês são fogo, hein!
Ele desaparece. Ela me olha com aquela cara de "será que ele ouviu tudo?" antes de sumir dentro do vestiário rindo igual uma louca. Quanto a mim, eu queria fazer minha cabeça explodir, entnerrá-la no chão e desaparecer.
Chega-me, no Dia N o caríssimo Eddiehead, dono do blog ao lado no meu serviço com o não menos caríssimo boyfriend dele. Dias atrás o namorado dele me contou o que daria a ele de dia dos namorados. Legal. Há três dias, eu perguntei ao eddíssimow o que ele queria dar e ele me contou, já que o namorado já havia contado. Ok.
Só que, como eu dizia, os dois chegaram ao meu trabalho e um queria me arrancar o segredo do que o outro ia dar, ao mesmo tempo em que me impediam de revelar o segredo do que haviam comprado para o outro. Solução?
Eu: Lá! Lá! Lá! Lá! Lá! Eu seeeii! Vocês não sabem!!!!
É por coisas como essas que eu adoro dia dos namorados!
Tudo bem, eu sei que já comentei dois deles, mas me fartei. Ultimamente, é raro achar na mídia material que não seja sobre isso. Basta dar uma viajada pelos blogs...
"Eu não sou Eu nem
sou o Outro
Sou qualquer coisa de intermédio
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro."
- Poema de Mario de Sá-Carneiro
Lisboa, Fevereiro de 1914